Boletim 2005

Boletim
Setembro 2005
Issue 3

Communio Internationalis Benedictinarum

Contato: Ir. Monica Lewis OSB – Abadia de Santa Escolastica, D – 49413 Dinklage
Tel: +49 4443 5130   Fax:: +49 4443 513 –118   e-mail: abtei@abteiburdinklage.de

  • Conteúdo:
    Editorial
    Encontro annual da CIB 2005
    - Sumário
    - Apresentação da Moderadora
    Extrato da Apresentação de Ir. Judith Ann
    - Alguns pensamentos sobreliderança de Me. Erica Van de Cauter
    - Encontro com os superiores monásticos da Polônia
     
    - Panorama das comunidades beneditinas femininas da Polônia
    Beneditinas no Leste Europeu
    - Uma impressão pessoal da situação da vida beneditina na Polônia
    - Visita a Zarnowiec

    NOVIDADES

    - Simpósio 2006
    - Catalogus 2006
     
  • Editorial

    Há pouco retornei da Conferencia Anual da CIB, que ocorreu no período de 5 a 15 de setembro 2005 na Polônia. Uma vez mais as Irmãs Delegadas representando as 19 regiões espalhadas pelo globo se reuniram, rezando e partilhando experiências, buscando a orientação do Espírito Santo, que no passado, encorajou e abençoou nosso trabalho. Esta carta-noticiário resume os vários aspectos de nosso encontro e repassa novos ítens de interesse geral. Ela é mais curta do que as que foram enviadas anteriormente porque agora, tendo sido feita a Fundação, informações básicas são desnecessárias. Eu gostaria de me dirigir àquelas que desejam saber mais a respeito da CIB, que em seu website: www.benedictines-cib.com encontram-se os números atrasados das cartas-noticiário bem como outras informações.

    Encontro Anual das
    Delegadas da CIB

    Pela 5ª vez o encontro anual da CIB aconteceu fora de Roma. Está se formando um padrão, tomando as experiências positivas do passado. Este ano a 1ª parte do encontro, em que as delegadas se reuniram para discutir e partilhar umas com as outras, ocupou três dias inteiros. Esta foi uma parte importante do encontro e o crescimento do relacionamento de umas com as outras ajudou a enriquecer a qualidade da partilha. Na 2ª parte do encontro, que tomou um dia inteiro, as Beneditinas Polonesas apresentaram suas comunidades e seus diferentes carismas. A parte do encontro consistiu em visitas a várias comunidades e lugares chave com o propósito de criar maior compreensão de ambas as partes. Todos os três aspectos do encontro estão documentados nas páginas seguintes.

    A Reunião das Delegadas

    Um aspecto desta parte da conferência foi olhar para o futuro e pavimentar o caminho para novos desenvolvimentos. No ano passado no Congresso dos Abades 2004, alcançamos nosso objetivo: o reconhecimento pela Confederação Beneditina. Solicitaram que a Lex Propria fosse atualizada com duas alusões à CIB. Portanto, este ano houve um sentimento de novo começo no ar. Daqui a um ano, em setembro de 2006, após o Simpósio, as Delegadas irão eleger a Moderadora. O Conselho permanecerá no cargo por quatro anos, pois nesse período será necessário formular metas através de um discernimento. Este processo foi iniciado há dois anos em Warsaw.

    Sempre é reservado algum tempo da Conferência – CIB para trabalhar sobre temas monásticos. Este ano o trabalho preliminar foi feito sobre o tema da “sábia liderança” na Regra de S. Bento em preparação ao Simpósio de 2006. Foi solicitado a quatro delegadas de diferentes idades e períodos no cargo para preparar um breve artigo sobre o que têm aprendido acerca de liderança. Ir. Judith Ann Heble dos Estados Unidos, Presidente da Conferência das Prioresas Beneditinas, deu uma introdução a partir de sua própria experiência e facilitou a sessão. O modo particular com que cada uma se expressou encorajou a partilha e possibilitou sugestões de temas que precisam ser discutidos no Simpósio.

    Oração de Santo Elredo

    Tu conheces meu coração, ó Senhor, e sabes que tudo o que destes dia e noite. Ternamente estenda Tuas asas para protegê-los. Imponha a Tua Santa mão direita sobre eles para abençoá-los. Preencha o coração deles com o Teu Santo Espírito e que Ele permaneça com eles durante a oração: reconforte-os com devota compunção, estimule-os com esperança, faça-os humildes com reverência e inflama-os com o Teu amor.

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    APRESENTAÇÃO DA MODERADORA

    (Resumo da Conferência de Me.Maire Hickey,
    em 6 de setembro de 2005).

    A importância da Polônia e de Varsóvia como sedes de nosso encontro –
    algumas reflexões sobre a nossa vocação beneditina.

    Inicio minha apresentação para o período 2004-2005, com especiais agradecimentos a Me. Jolanta por nos convidar para sediar o nosso encontro aqui na Polônia. Já nesta introdução, quero colocar em destaque este lugar onde estamos reunidas para o nosso encontro da CIB-2005 e chamar a atenção para como o fato de estarmos aqui nesta cidade, nos conduzirá ao coração da vocação beneditina.

    Assis, que foi a sede de nosso encontro há um ano, permanece inesquecível como a cidade da paz... Qual a ligação com Varsóvia? Nossa jornada da CIB nos trouxe de um lugar, onde o espírito evangélico de reconciliação é palpável em todos os lugares, para uma cidade onde os abusos criminosos do poder por alguns seres humanos e a brutal retaliação nos deixaram trágicas marcas de guerra que levarão muitos anos para cicatrizar. Nós sabemos que o processo de reconciliação já começou e caminha firmemente...

    Quando nós viajamos como Irmãs e monjas beneditinas, não visitamos os lugares como turistas ou para aprimorar nossa cultura. Sabemos que o que aconteceu aqui na história recente tem algo a ver com as nossas vidas aqui e agora. Sabemos que parte da ganância pelo poder e da violência que levou esta cidade à destruição em 1944 está em nós. Sabemos que as vivências cotidianas, baseadas na reconciliação em nossas comunidades, são uma contribuição para o processo de reconciliação entre a Polônia e a Alemanha, entre o Leste e o Oeste, Norte e Sul, de todo o mundo. Varsóvia nos conduz de maneira profunda à nossa vocação contemplativa, à nossa parte no processo de reconciliação, no qual todo o mundo é convidado, à centralidade da doação de Jesus ao Pai, que celebramos diariamente na Santa Eucaristia.

    II

    Onde nos baseamos enquanto nos reunimos em Varsóvia?

    Nós iniciamos nosso encontro aqui em Varsóvia, com um olhar em Assis e o Congresso dos Abades em Roma em 2004, detendo-nos em nossa situação há um ano.

    Até agora, nossos encontros sempre começavam com uma revisão das metas pelas quais lutamos e esperamos alcançar. Desta vez é diferente. Desde setembro de 2004, conquistamos importantes objetivos que havíamos nos proposto e trabalhado por mais de 20 anos... Estamos em face de um importante momento de nossa história. As Irmãs e Monjas que vivem conforme a Regra de São Bento tornaram-se uma “Comunhão” internacional. E o que seremos no futuro? É hora de analisarmos os próximos desafios que se apresentam em nosso caminho. Isto significa ouvir a Palavra de Deus e os sinais dos tempos e identificar as questões às quais somos chamadas a tomar uma posição. É hora de começarmos o processo que nos levará, desde agora, daqui um ano, a elencar nossos objetivos concretos e visões para o período 2006-2010.

    Algumas considerações: Depois de nosso encontro em Assis, nós assistimos às apresentações sobre o tema da Globalização, no Congresso dos Abades. A mensagem foi clara: a Globalização veio para ficar. As questões já não se tratam mais de questões individuais ou mesmo de pequenos grupos. Todas elas dizem respeito a todos nós. Os acontecimentos do último ano nos confirmaram isto: nós vimos a participação global no desastre tsunami na Indonésia, o interesse global na morte do Papa João Paulo II e a participação global em seu funeral... A guerra no Iraque, conflitos entre Israel e Palestina, ataques terroristas em Londres... Muitos outros lugares cultivam esta consciência global. Nós somos membros desta comunidade mundial. Sermos Beneditinas não nos alivia de nenhuma responsabilidade como membros desta comunidade mundial. Mas requer de nós encontrarmos tanto a qualidade específica de nossa responsabilidade como a maneira específica de exercitá-la. Nossa visão para o futuro quer cuidar disto. Viver como uma Beneditina no Terceiro Milênio significa aprender qual é realmente a responsabilidade das monjas e dos monges cristãos neste mundo.

    São Bento nos ensina a viver com grande cuidado e atenção às pequenas coisas da vida cotidiana em comunidade. Mas esta regra não nos leva a uma compulsão neurótica, focalizando somente a própria vida ou a própria comunidade. Leva-nos a amar tudo o que nos cerca e as pessoas que aí vivem, porque conduz nossos olhos, a partir delas, para o círculo de luz, no qual todo o mundo está envolvido, como o próprio São Bento assim o viu. Nós precisamos de uma visão que sempre nos recorde que somos chamados a uma vida de oração, contemplação e louvor ao nosso Criador no mundo global.

    Na comunidade mundial, a Europa passa por processos de desenvolvimento que serão de enorme importância para o mundo no futuro. Nosso encontro em Varsóvia, no centro da reconciliação entre o Leste e Oeste, nos irá propor, as Beneditinas européias, a formulação de uma visão sobre qual será nossa contribuição para trazer o Cristianismo de volta à Europa.

    Os sinais dos tempos estão nos chamando – não somente a Europa – para uma decisão e ação em conjunto dos cristãos, para viver de acordo com o Evangelho neste mundo, conhecendo os poderes das trevas que freqüentemente parecem nos rondar, mas crendo continuamente que temos que seguir a Luz. A espiritualidade é essencialmente algo que deve ser vivido. Mas precisa ser formulada e comunicada. O mundo precisa de mulheres Beneditinas que vivam, formulem e comuniquem a mensagem cristã através de suas vidas e através de sua hospitalidade monástica. Promover o desenvolvimento do monaquismo feminino, conforme nossos Estatutos, é uma de nossas metas. Nós precisamos de uma CIB que nos ajude a viver nossa vocação nas realidades do mundo globalizado do século 21.

    III

    Ciência da Liderança – uma parte de nossa visão

    Acredito que quando escolhemos “A Ciência da Liderança” como tema para o Simpósio 2006, nós estávamos determinando qual seria a tônica dominante da nossa visão para a CIB nos anos seguintes. Sem uma boa liderança, nenhuma visão pode emergir em uma comunidade, e sem uma boa liderança as melhores visões não podem ser colocadas em prática. No Simpósio, entre outras coisas, falaremos sobre como uma pessoa precisa desenvolver-se, a fim de ser capaz de exercitar uma boa e saudável liderança. Todo ser humano tem desejo de poder, como por alimento e apreço. Como líder, alguém pode ter uma maravilhosa oportunidade para encontrar maneiras de satisfazer seus próprios desejos de poder. Esta é uma atividade que geralmente tende a ser muito exclusivista. E quanto mais eu ajo assim, eu não lidero o todo. Estou provavelmente negligenciando ou mesmo causando danos às pessoas às quais devo liderar. Amedrontam-me atitudes que algumas vezes deram errado em nossas comunidades no passado, porque estas não foram suficientemente atentas ao real sentido de liderança, ao desenvolvimento pessoal e à transformação que envolvem um líder no significado cristão desta palavra.

    Ajudar a desenvolver uma liderança, que seja humana e espiritualmente saudável, nas comunidades Beneditinas femininas poderia ser um elemento de inspiração na visão que queremos promover para a próxima etapa de nossa jornada.

    Finalmente, se trabalhamos pelo futuro, precisamos ter em mente nossas jovens e jovens Irmãs. Se quisermos passar uma mensagem e uma visão, precisamos ouvir as jovens e tentar entendê-las. Precisamos questionar como a CIB pode ajudar nossas comunidades de monjas e Irmãs a encontrarem uma base comum com a geração mais jovem, dando a elas espaço para crescer e para aprender a amar a vida ao serviço do Senhor.

    No final deste encontro, retornaremos às nossas comunidades, à esfera diária, de oração, clausura, silêncio, serviço aos pobres, hospitalidade. Nosso encontro da CIB nos estimulará a voltar com uma mais profunda consciência de nossa participação, através de nossa maneira de viver monástica de acordo com a Regra de São Bento, no processo de transformação redentora de nosso mundo.

     

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    Simpósio 2006

    O V Simpósio Internacional da Communio Internationalis Benedictinarum acontecerá em S.Anselmo, Roma, de 7 a 14 de setembro de 2006. O tema será:

    “A ciência da Liderança: equilibrar tudo de tal modo, que haja o que os fortes desejam e que os fracos não fujam (RB 64,19). Ir. Ruth Fox, OSB e Pe. Selvaratnam,OMI serão os conferencistas. Cada um deles terá dois dias para expor suas idéias sobre liderança Beneditina, desenvolvimento humano e as necessidades de um líder nos dias de hoje. Duas Beneditinas australianas, Ir.Mary McDonald e Ir.Elisabeth Brennan irão preparar o encontro.

    Como aconteceu em 2002, pedimos a cada região para enviar uma Irmã professa recentemente, com idade até 50 anos e que tenha feito sua profissão solene a partir de 1º de janeiro de 2001. Ela precisa ser comunicativa e, se possível, falar duas das línguas oficiais do encontro (inglês, francês, italiano, espanhol, alemão), a fim de se relacionar e dividir suas experiências com as outras mais facilmente.

    Em 15 de setembro, haverá eleição para a Moderadora e o Conselho Administrativo para os próximos quatro anos.

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    Extrato da apresentação de Ir. Judith Ann Heble sobre liderança

    uma boa líder é

    Pessoa que escuta – escuta o coração.

    Pessoa que aceita – tornando possível a cada uma inserir-se

    • desafiadora pelas palavras e obras
    • enfática e de fácil entendimento

    Pessoa que inclui – aberta à diversidade

    • incorporando tudo
    • abrangendo tudo.

    Pessoa que investe

    • motivando os dons dos outros
    • dividindo responsabilidades com suas Irmãs.

    Sim, a comunidade espera muito de uma líder.

    A comunidade recebe muito de uma líder

    • que doa sua vida pelos seus membros.

    Se você quiser ler todo o texto, ele está disponível com Ir. Monica Lewis: abtei@abteiburgdinklage.de

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    Alguns pensamentos sobre liderança –
    M. Erica van de Cauter

    • Segredo e exclusividade produzem frutos amargos.
       
    • Como líder você pode ser aceita e amada apesar de suas faltas e deficiências. É muito importante que as irmãs sintam que você as ama e que você realmente dedica seu tempo a elas e por elas.
       
    • Minha mestra de noviciado e prioresa foram ambas de personalidade forte. Eu as admirei muito e lhes sou muito grata, especialmente pela maneira com a qual exerceram sua liderança. Mesmo que eu não possa fazer o que elas fizeram, eu aprendi muito delas, especialmente a coragem e a perseverança.
       
    • Sua visão deve ir além de seus sonhos e experiências. E ela tem chance de se encarnar, se for partilhada com seu grupo. E para realizá-la, você tem que desenvolver uma estratégia em circunstâncias concretas e trabalhar em cima dela com perseverança.
       
    • Você deve receber a autoridade que lhe foi dada. Seu modo de falar e principalmente de se relacionar representa um importante papel: sua atenção, seu engajamento, sua devoção, sua honestidade, sua integridade, sua disponibilidade; que você escute, consulte, tome conselhos, discuta, reuna-se e troque idéias.
       
    • Você deve antes de mais nada, animar, ser criativa, valorizar e encorajar, e como líder você deve tornar prazeiroso o trabalho de suas colaboradoras.
       
    • Você não deve fazer tudo sozinha, mas, delegar, distribuir as responsabilidades e engajar outras pessoas: uma equipe de colaboradoras é de primordial importância
       
    • Você precisa de alguém que lhe dê um “feedback”, cuja percepção e conselho você valorize.
       
    • Como superiora eu aprendi, mais do que nunca, a depender sempre d’Ele que me nomeou através de minha comunidade; a esperar tudo somente d’Ele; a atribuir todos o sucessos a Ele e todas as falhas a mim mesma.
       
    • Uma vida estável em comunidade requer da líder uma constante atenção para o que é favorável ou prejudicial à unidade. Você deve tentar intensificar tudo o que fomenta a solidariedade.
       
    • Conferências, diálogos, momentos de consulta e deliberação, são muito importantes, mas, também fazer coisas juntas, festejar juntas.
       
    • Como superiora você é forçada a corrigir suas estratégias de acordo com as pessoas e circunstâncias disponíveis.
       
    • Uma opção ou decisão importante sempre deve ser tomada junto com o grupo.
       
    • Dar continuidade a formação é de primordial importância, seja para a superiora que para todos os membros da comunidade. Esta deve ser uma preocupação prioritária para uma superiora.

     

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    Encontro com os superiores monásticos da Polônia

    Muita energia e esforço foram feitos por nossa anfitriã, Me. Jolanta Rzoska e sua equipe com o objetivo de apresentar um panorama da vida monástica na Polônia.

    Esta é uma região onde existe e funciona muito bem uma rede de comunicação entre todos os tipos de comunidades que vivem sob a Regra de São Bento, tanto femininas quanto masculinas, de monjas e de irmãs. As comunidades Camaldulenses estavam representadas assim como o grande número de Oblatos de São Bento, entre os quais um pequeno grupo vive em comunidade e serve aos pobres. As três comunidades que pertencem à Congregação da Adoração Perpétua estavam representadas e também as nove comunidades femininas que pertencem à Congregação da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, originalmente chamada de Congregação Polonesa. Finalmente, representantes das três comunidades beneditinas masculinas, Tuniec, Lublin e da recente fundação de Biskupów, participaram do encontro. Muitos destes superiores ficaram com o grupo participando dos passeios e foram conosco ao Norte da Polônia para visitar a comunidade de Zarnoviec, perto de Danzig.

    Muito esforço foi feito para ultrapassar a barreira da língua. Nós recebemos um pequeno dicionário elaborado pela CIB em nosso kit de encontro, o qual nos ajudou a pronunciar palavras que para a maioria das pessoas de cultura ocidental parecem impronunciáveis. O Italiano, o Francês e o Alemão freqüentemente ajudaram onde o Inglês faltou, e onde não havia língua de contato, a boa-vontade em conhecer o outro, face a face, pessoa a pessoa, era o primeiro passo importante, e além disso era sempre possível encontrar alguém disposto a servir de intérprete durante as conversas nas refeições ou no ônibus.

    Além da convivência, havia três recursos importantes que nos familiarizaram com o contexto da vida monástica na Polônia. Um deles era uma excelente exposição no corredor mostrando cada casa e informações básicas sobre elas. Outro era um filme em DVD, feito por uma entusiasmada oblata de Zarnowiec, que visitou todas as 18 casas na Polônia com sua câmera e gravou as entrevistas com as irmãs. Finalmente, cada participante recebeu em seu kit um mapa da Polônia com várias informações sobre todos os mosteiros Beneditinos ou casas dependentes bem como fotos de alguns deles. O esforço feito para preparar estes recursos foram especialmente valorizados, pois facilitam repasse das informações sobre as comunidades polonesas em nossas casas.

     

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    Panorama das Comunidades Beneditinas Femininas na Polônia

    Congregação

    número de casas

    carisma específico

    Beneditinas

    Missionárias

    de Otwock

    30 casas na Polônia

    Ucrânia, Equador, EUA, Brasil

    264 irmãs

    ora et labora

    equilíbrio entre oração e

    trabalho, incluindo bordado, apostolado e trabalhos paroquiais

    Irmãs Beneditinas

    de Loretto

       20 casas na Polônia, Itália,    Rússia, Ucrânia, Romênia, EUA 

      201 irmãs

    Transmitir a Palavra de Deus escrita: trabalhos de gráfica, trabalho com idosos e crianças.

    Irmãs Beneditinas

    de Samaria

     

    servir aos pobres, cultivar o canto gregoriano e liturgia

    Oblatas

    uma aldeia, 8 irmãs,

    200 oblatas

    carisma beneditino para os

    leigos

    Imaculada Conceição de

    Nossa Senhora

    9 mosteiros, a maior parte fundada no séc. XVI e extinta no séc. XIX

    153 monjas

    Liturgia das Horas e artesanato, hospedaria e outros trabalhos típicos das beneditinas contemplativas

     Adoração Perpétua

    3 mosteiros

    77 monjas

    adoração do Santíssimo Sacramento

    Camaldolense

    2 mosteiros (um é fundação recente)

    25 monjas

    equilíbrio entre vida comunitária e eremítica

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    Beneditinas no Leste Europeu

    Desde 1989 a vida beneditina no Leste Europeu foi renovada. Pessoas ou comunidades que viviam na clandestinidade durante o regime comunista estão felizes em poder voltar ao ritmo normal da vida monástica como conheciam antes da guerra e em poder restabelecer novos contatos outrora proibidos durante o período da cortina de ferro. A Abadessa Úrsula Schwalbe de Alexanderdorf perto de Berlim, (antes na Alemanha Oriental e pertencendo ao bloco Soviético), foi convidada para este encontro, bem como as abadessas das duas comunidades na Lituânia, Vilnius e Kaunas, e a abadessa de Zytomierz, na Ucrânia. Este pequeno grupo de convidadas representou de maneira especial uma das finalidades da CIB: fazer com que mosteiros que estavam isolados entrassem em contato uns com os outros, criando relações que promovam estímulo e crescimento. Esta foi uma oportunidade única para elas terem a experiência de pertencer imensa família Beneditina, de conhecer os membros da Conferência provenientes de todas as partes do mundo e o Abade Primaz, além de fazer novos contatos com as Comunidades polonesas e de revitalizar velhas amizades.

     

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    Uma impressão pessoal da situação da vida beneditina
    na Polônia

    A história da Polônia e mentalidade do povo são elementos importantes para entender a história monástica no país. Houve uma época de prosperidade durante a Idade Média, quando belas igrejas e casas foram construídas, adornadas com trabalhos artísticos de grande valor. A Congregação do Coração Imaculado de Maria tem suas origens nos séc. XVI e XVII. Nesta época, uma parte da Polônia pertencia ao Império Austríaco, o que se pode ver na magnífica arquitetura de algumas igrejas abaciais. Muitas abadias foram dissolvidas durante a secularização que varreu a Europa durante o séc. XIX. Algumas comunidades procuraram ficar unidas e foram para o Ocidente. Depois da Segunda Guerra Mundial praticamente todas as comunidades têm uma história de fuga, de pobreza e de um novo começo em muitos edifícios de mosteiros antigos outrora desertos. Constantemente nos lembrávamos que um exército após o outro devastara o país e que o território fora dividido pelos conquistadores de diversas maneiras, durante vários séculos até o presente. As cicatrizes da II Guerra Mundial podiam ser vistas em todos os lugares. Diante desta história, a religião tornou-se uma maneira de preservar a identidade nacional. Nossa Senhora, venerada no ícone de Tshestockowa foi declarada rainha da Polônia. Sua maternal influência acalenta os corações de um povo marcado pelo sofrimento e o faz mais forte na solidariedade e na perseverança. O crescimento da pobreza e colapso das estruturas sociais suscitou a fundação de congregações devotadas ao serviço dos pobres no início de séc. XX. É interessante perceber como seus fundadores aderiram à idéia de seguir a Regra de São Bento como uma fonte de alimento espiritual frente às exigências de seus ministérios. A rede de ajuda e a solidariedade entre todos os homens e mulheres que seguem a Regra de São Bento é uma fonte de inspiração e estímulo para todos, bem como provê um conjunto de recursos no momento em que a Igreja da Polônia se vê diante de novos desafios trazidos por influência do Ocidente.

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    Visita a Zarnowiec – 12 a 15 de Setembro

    O Mosteiro de Zarnowiec, construído no séc. XIII e com uma história de vida monástica cisterciense e beneditina ao longo dos séculos, estava no programa para os últimos dias do encontro.

    Lá nós fomos calorosamente acolhidas por uma comunidade de várias origens. A irmã mais velha era do então mosteiro extinto de Vilnius antes da II Guerra Mundial (na época parte da Polônia, hoje Lituânia) e veio para Zarnowiec para repovoar o velho e abandonado mosteiro com vida nova em 1946.

    As irmãs mais jovens tiveram a experiência do fim da era soviética quando eram adolescentes e usaram sua nova liberdade para visitar os países da Europa Ocidental e Estados Unidos antes de voltar à Polônia e se tornarem beneditinas. O acolhimento da comunidade foi demonstrado na oração com todos na capela nova onde as diversas línguas tiveram seu espaço, e onde os talentos musicais de nossas anfitriãs tornaram a celebração mais festiva.

     A acolhida também foi demonstrada pela cozinha polonesa, as mesas foram colocadas no claustro para servir a grande invasão de convidados. Enfim, a hospitalidade foi demonstrada na alegria e no orgulho com que elas nos permitiram experimentar algumas das belezas da costa e das riquezas históricas e culturais da região de Danzig.

    Muito esforço foi despendido na preparação de uma liturgia includente que pode ser experienciada por todos, tendo a tranquilidade por centro em torno da qual tudo girou. Elas nos disseram no seu silêncio e no seu jeito determinado o quanto as Beneditinas Polonesas podem oferecer à grande família de São Bento.

    MUITO OBRIGADA!

     

    Nossa anfitriã,

    Me. Jolanta Rzoska, de Zarnowiec, Presidente da Congregação da Imaculada Conceição, que com sucesso proporcionou o encontro não somente de beneditinos de diferentes tradições na Polônia, homens e mulheres, monjas e irmãs, como também representantes dos beneditinos de outros países do Leste Europeu, demonstrando como a solidariedade de uns com os outros pode ser fonte de inspiração e estímulo para todos.

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    Catálogo 2006

    Ir. Felicitas Seisenberger, de Kommunität Venio, aceitou a tarefa de revisar o Catalogus sororum et monialum, editio I, 2000. Ela ou uma das delegadas vai entrar em contato com você nos próximos meses pedindo informações sobre sua comunidade. Espera-se que o Catalogus esteja pronto em Setembro de 2006.

    O Endereço completo dela é:

    Sr. Felicitas Seisenberger OSB
    Kommunitaet Venio
    Döllingerstr. 32
    D – 80639 Munich,
    Fax: +49 (0)89 177004
    felicitas.seisenberger@kommunitaet-venio-osb.de
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